terça-feira, agosto 16

Inquietude

À pele suada de desejo chamamos inquietude.
Aos momentos soltos e dolorosos chamamos inquietude.
Inquietude, vaga ténue de não saber.
E fiquemos por aqui.
Não saber é tão inquieto quanto não conhecer. Como se conhecer fosse saber.
Como se saber fosse um pouco mais além do conhecimento.

Inquietude é uma pluma laranja num colar de oferta da revista semanal.
Inquietude é nada e tudo mais que crio.
Inquietude é um pedaço, e só isso, de não ter.
Como a inquietude que nos invade só o medo de perder o que nunca tivemos.
E afinal não é no ter que reside a resposta.

A gloriosa descoberta de fazer parte de algo é mais poderoso do que pertencer, do ter, do saber e do conhecer.

A inquietude de fazer parte de um todo e do nada…o nada de nada ser a não ser isso mesmo… inquietude.

Fiquem por aí na inquietude deste verão... não se apeguem à coisa que a coisa pode se apegar a vós...

1 comentário:

zibliana disse...

Às vezes preferível a quietude - calar como um rato e deixar acontecer - não exteriorizar demais, não vão os deuses invejar-nos, entornar-nos a inquietude com um pontapé, só para se divertirem.