quarta-feira, junho 22

Amores meus, meus amores...

Nem sempre sabemos o que fazer com o amor. Nem sempre procedemos bem.
Promovemos ausências para que o reencontro seja de "paz". Alimentamos silêncios para estarmos em paz. Vale então no amor, sermos abstencionistas na relação?
Vale o tempo falsamente dedicado em função de uma "não declarada guerra"?

Meus amores, amores meus que fazemos nós com o amor? Responda quem souber...

4 comentários:

zibl disse...

Responda quem não souber, melhor...
Acho que muito do que é chamado amor se passa na pessoa que ama. Tem a ver com anseios, carências, mágoas, abandonos, perdas que se teve e se tem vontade de... superar?... recuperar?... compensar?...
O anseio de encontrar um abrigo, de viver um tempo protegido, de viver num estado de graça em que tudo o que fazemos é inocente, a ter a certeza que nada de mal acontecerá... Quem ama, torna-se de novo criança.
Mas pensa-se: será que quero a ti, ou imagino em ti aquilo que quero? Não se consegue destrinçar. Desiste-se então de tentar destrinçar, o tempo é finito, não se deveria gastá-lo em algo que não seja a feroz inocência do amor...

"Nem sempre sabemos o que fazer com o amor". Frase certeira, 7. Nunca, nunca sabemos. Por isso é que perguntamos. E respondemos. Nunca sabemos. Arriscamos…

"Nunca dependas de algo exterior a ti", dizem sabedorias antigas. Gostaria de viver de acordo com isso... Mas preciso de ajuda para viver sabiamente, e só consinto ser ajudada quando amo. Sou ainda humana, hehe

7 disse...

hummm... que estranho ter uma cybernauta a comentar os meus posts! Já me tava a habituar a ninguem deixar qualquer coisinha... julguei por momentos que nao tinha publicozinho!

Gracias

xumbita disse...

"Nem sempre sabemos o que fazer com o amor"? Nunca sabemos!! Isso sim. Quando se ama e não é recíproco queremos po-lo para trás das costas (hipotese duvidosa.. digo eu). Quando não se ama quem nos ama vamos à procura e já não está lá! (onde terá ido??) Quando tudo parece correr bem e a coisa é recíproca... arranja-se uma "bixanice" qualquer e dá tudo para o torto. Por mim, ponham-no no frigorífico e esperem que congele.

É favor não descongelar o meu amor!

Pseudo disse...

Quando penso em amor, sinto uma fadiga súbita. Daquela que pesa no vazio do que nem é decepção. Quando perguntam o que fazer com o amor, soa sempre a simples, como conseguir sorrir ao mesmo tempo que se faz o pino, sobretudo quando as cruzes persistem em estar fora do sítio. Talvez o que que Saint-Exupéry disse sobre o ser-se responsável pelo que se cativa se relacione com a escarpa numa ferida criada por ela mesma.

Os silêncios alimentados trazem sempre aquela paz pesada, clássica, do que fica por dizer e a ausência nada mais traz do que a própria, a distância do abstencionismo. E essa não é algo que se meça fisicamente, embora, por vezes, o efeito seja esse, uma adaptação tipo “vai para fora cá (de) dentro”.

“O que fazer com o amor?” Parte da resposta (em forma de pergunta) estará em “Nem sempre sabemos o que fazer com o amor”.

Simples (ou não) seria fazermos dele repositório de doença e de cura, fazermos dele fé imutável, porque “todo o lugar que amamos torna-se o mundo” (apercebo-me que isto soou muito a Adriana Calcanhoto e, a essa sim, tenho eu alergia)

- Oh! – gritou um dos meninos. – Olha aquela vareta do lixo. É estranho que tenha vindo parar aqui.
E tirou o foguete de dentro do fosso.
- Vareta do lixo! – exclamou o Foguete - , impossível! Vareta do luxo, foi o que ele disse. Vareta de luxo é um belo cumprimento. De facto, ele toma-se por um personagem da corte!
-Vamos pô-la no fogo – disse o outro menino. – Ajudará a ferver a chaleira (…)
- Isto é magnífico! – exclamou o foguete. – Vão soltar-me em plena luz do dia de modo que todos possam ver-me.
- Iremos dormir agora – disseram eles –, e quando acordarmos, a chaleira já terá fervido. (…)
O foguete estava muito húmido, de modo que levou muito tempo a incendiar-se, afinal, porém, o fogo pegou.
- Agora vou partir! – gritou ele, e estirou-se e empertigou-se todo. – Sei que irei subir mais alto que as estrelas, mais alto do que a lua, mais alto do que o sol. De facto subirei tão alto que…
Chi! Chi! Chi! E ele subiu direito no ar.
- Delicioso! – exclamou ele.. – Continuarei a subir assim para sempre. Que triunfo eu sou!
Mas ninguém o viu.
Então começou a sentir uma estranha sensação de formigueiro.
- Agora vou explodir – gritou. – Incendiarei o mundo inteiro e farei tal barulho que ninguém falará a respeito de qualquer outra coisa durante o ano inteiro.
E, na verdade, explodiu (…) fez a pólvora. A pólvora não podia fazer outra coisa.
Mas ninguém o ouviu nem sequer os dois meninos que dormiam profundamente.
Então nada mais restou do foguete senão a vareta e esta caiu nas costas de uma gansa que estava dando um passeio ao lado do fosso.
- Céus! – exclamou a Gansa. – Está a chover varetas! E correu para dentro d’água.
- Eu sabia que haveria de causar grande sensação – ofegou o Foguete. E expirou.


(Óscar Wild, O Notável Foguete).